Manejo reduz risco de acamamento no milho
Especialistas orientam manejo contra acamamento
Foto: Nadia Borges
O manejo preventivo para reduzir o acamamento do milho na fase reprodutiva exige planejamento desde o pré-plantio até a colheita, segundo orientações técnicas reunidas em publicações da Embrapa Milho e Sorgo e estudos sobre a cultura. O monitoramento constante de pragas, doenças de colmo, condições climáticas e equilíbrio nutricional aparece como fator central para preservar a estabilidade das plantas e evitar perdas de produtividade.
As recomendações destacam que as inspeções na lavoura devem ocorrer principalmente entre o emborrachamento e o enchimento de grãos, período considerado mais sensível para a identificação de ataques de perfuradores de colmo e sintomas de podridões. Conforme os materiais técnicos da Embrapa Milho e Sorgo, as estratégias de controle precisam ser ajustadas conforme o nível de infestação e as recomendações agronômicas oficiais.
O planejamento climático também é apontado como decisivo. A orientação técnica recomenda que a época de semeadura seja definida de forma a evitar que a fase reprodutiva coincida com períodos de maior ocorrência de vendavais, excesso de chuva e tempestades, fatores que aumentam o risco de tombamento das plantas.
Entre as práticas preventivas indicadas estão a correção da acidez do solo com calagem, o uso de gesso agrícola quando necessário e o manejo de plantas daninhas para evitar competição por água e nutrientes. Segundo os documentos técnicos, um solo bem estruturado favorece o desenvolvimento radicular e melhora a capacidade de sustentação do milho durante o enchimento de grãos.
Na fase vegetativa, as orientações incluem ajuste da profundidade de semeadura, garantia de estande uniforme e atenção ao equilíbrio nutricional. O manejo do nitrogênio merece destaque para evitar crescimento excessivo das plantas sem suporte adequado de potássio, situação que pode aumentar a suscetibilidade ao quebramento de colmo. “Monitorar visualmente e, quando possível, via análise foliar, sinais de deficiência de potássio (amarelecimento e necrose nas bordas das folhas mais velhas) que se relacionam com maior risco de quebramento de colmo”, destaca o material técnico.
A fase reprodutiva, entre VT e R6, exige medidas mais voltadas à mitigação de perdas. Entre as recomendações estão o monitoramento de áreas com início de acamamento após chuvas e ventos, avaliação da integridade dos colmos e planejamento antecipado da colheita em áreas de maior risco. “Quando o risco de acamamento é alto, antecipar a colheita, mesmo com umidade de grãos um pouco acima do ideal, pode ser economicamente vantajoso em relação às perdas por tombamento generalizado”, apontam as orientações.
As publicações também ressaltam a importância da integração de práticas como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e manejo adequado da irrigação. Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, essas estratégias ajudam a reduzir compactação do solo, melhorar a infiltração de água e fortalecer o sistema radicular das plantas.
Outro ponto destacado é a necessidade de seguir rigorosamente normas de segurança e recomendações agronômicas durante o uso de defensivos agrícolas. O material reforça que aplicações de inseticidas, fungicidas e herbicidas devem obedecer às orientações de rótulo, bula e receituário agronômico emitido por profissional habilitado. “As estratégias descritas devem sempre ser ajustadas com apoio de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a), com base em diagnósticos locais”, reforça o documento técnico.
As orientações compiladas pela Embrapa Milho e Sorgo concluem que o controle do acamamento depende de decisões tomadas ao longo de todo o ciclo da cultura, envolvendo escolha de híbridos, manejo nutricional equilibrado, qualidade do solo e controle fitossanitário. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.